Ecoperfil - Sistemas Urbanos Sustentáveis

A construção e utilização do património edificado em Portugal consome largas quantidades de energia e recursos (cerca de 22% da energia total e 58% da electricidade), emite poluentes de diversas naturezas e introduz impactes negativos na ocupação do solo. Num país com um clima classificado de ameno, com elevada exposição solar e temperaturas relativamente elevadas, nunca foi hábito ter em conta questões como estanquicidade ao ar, espessuras óptimas de isolamento térmico e cuidada qualidade dos vãos envidraçados. Por outro lado as acções de manutenção são também geralmente descuradas por falta de meios financeiros, materiais, de informação ou por simples inércia, com consequências ao nível da durabilidade dos edifícios e qualidade do conforto interno.

O clima português, no entanto, tem variações acentuadas, podendo no Verão atingir temperaturas médias mensais acima de 30ºC e abaixo de 10ºC no Inverno, além de variar bastante entre o Norte e o Sul do país.

O resultado final transparece em muitos casos na falta de conforto térmico dos edifícios (muito quentes no Verão e muito frios no Inverno) e, o que é mais grave (mas compreensível), num aumento exponencial do consumo de energia, especialmente de electricidade e de gás natural para fins de climatização e aquecimento de águas sanitárias, ambos contribuindo para a delapidação de combustíveis fósseis, para o aquecimento global e para pesados encargos financeiros para os utilizadores. Estes consumos, tanto em edifícios de habitação como nos de serviços, têm crescido a alarmantes taxas, variáveis entre 3 e 7% ao ano.

Face a este panorama, torna-se necessário, mesmo imperativo, tomar medidas concretas para ajudar a solucionar este problema: fazer diminuir o consumo de energia para atingir as condições de conforto térmico pretendidas.

A análise objectiva e técnica de estratégias de concepção, construção ou reabilitação de edifícios que tenham em conta as condições climáticas do local e o tipo de utilização do edifício, em conjunto com outras questões como consumos de água (também este um recurso vital em sérios riscos de escassez), níveis de iluminação e ventilação naturais e formas de ocupação do solo, parecem essenciais para elevar a qualidade ambiental do edificado. Com qualidade ambiental entende-se portanto o melhoramento do nível de sustentabilidade ambiental, que abrange vários aspectos relacionados com o edificado e que também implicam a geração de impactes negativos (ex: transportes, materiais usados na construção e manutenção, tipos e eficácia dos equipamentos instalados).